Sexta-feira, 8 de Junho de 2007

Cila e Glauco

 

Glauco era um humano que as divindades aquáticas resolveram transformar numa criatura do mar. Era muito bonito, mas não para os olhos humanos. Apaixonou-se pela humana Cila, que apavorada pela súbita presença de Glauco, põe-se a fugir, pelas águas, pelas rochas, pelas cavernas submarinas. Desesperado, Glauco lança-se em perseguição da bela ninfa, implorando, com gritos e prantos convulsos, que lhe conceda um pouco de atenção e amor. Impassível às súplicas, Cila continua a sua fuga, tendo por objectivo esconder-se num lugar tão secreto e inacessível que jamais Glauco conseguiria encontrá-la. Depois de inúteis buscas, o deus é obrigado a reconhecer sua derrota. Apenas algum poder superior lhe facultaria conquistar o afecto da bela ninfa. Abatido, torturado, Glauco dirige-se para a ilha de Ea, onde morava a maga, e, entre suspiros e lágrimas, pede-lhe que o ajude a conquistar a tão amada ninfa. Circe promete atendê-lo. Entretanto, enamora-se pelo deus marinho. Não lhe importando o aspecto animalesco de Glauco: a sua riqueza de sentimentos, e os seus olhos azuis como o mar jónico fascina-a. Agora é Circe quem se põe a percorrer os mares, sem descanso atrás do seu amado. Quando por fim o seu encanto de mulher revela-se insuficiente, ela recorre aos seus poderes de feitiçaria, à sua habilidade de transformar pessoas em monstros, e decide fazer de Cila uma criatura tão horrenda e nojenta que todo o amor de Glauco haveria de transformar-se em aversão. Sem ser vista, a feiticeira derrama veneno nas águas de uma fonte onde a ninfa costumava tomar banho. Depois volta para a sua ilha e, ansiosa, aguarda pelos resultados. Cila mergulha na água enfeitiçada. O belo corpo esguio e macio começa lentamente a transformar-se. Monstros horrendos surgem à sua volta, com ensurdecedor alarido. A ninfa, amedrontada, procura fugir-lhes. Mas eles estão sempre a seu lado. Então Cila descobre: são parte de si mesma, nascem de seu corpo. Desesperada corre ao encontro de Glauco e nos seus braços chora longamente. Ele também lamenta a beleza perdida, mas recusa-se a permanecer com a antiga ninfa. O grande amor já não existe. Cila vai viver no estreito da Sicília, aterrorizando os mortais que antes a tentavam conquistar, deslumbrados com sua extraordinária beleza. Na ilha de Ea, Circe inutilmente espera o retorno de Glauco. Revoltado com sua traição e crueldade, o pobre deus jamais quis visitá-la. E passou toda a existência cultivando a lembrança de uma ninfa bela e doce, que um dia se perdeu nos feitiços do ciúme.

David  

publicado por ML às 22:39
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